Há três anos, o Reels era quase uma piada: vídeos reciclados do TikTok, engajamento péssimo e uma sensação geral de “ninguém pediu por isso”. Mas Zuckerberg não abandonou o barco. Hoje, esse experimento, que muitos descartaram como uma cópia barata, gera mais receita que o YouTube e está se preparando para invadir sua TV.
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A moral da história: nunca subestime um aplicativo com inteligência artificial... e muito dinheiro por trás dele.
Do meme ao império: a vingança do Reels
Quando a Meta lançou o Reels, a plataforma parecia desesperada para acompanhar o TikTok. Os relatórios internos eram devastadores: quase nenhum engajamento, usuários vendo apenas conteúdo republicado com a marca d’água de outra pessoa e um algoritmo que não entendia o que você queria ver.
Mas, como qualquer vilão de filme em um terno caro diria: “Tudo isso fazia parte do plano”. Mark Zuckerberg, conhecido por seu compromisso inabalável, fez uma aposta ousada na IA.
E o que se seguiu foi uma reformulação algorítmica: adeus à exibição apenas do que seus contatos publicavam, olá à exibição do que você provavelmente vai gostar, mesmo que não siga aquela conta.
O resultado? Uma explosão de engajamento e tempo de tela que nem a pessoa mais otimista da Meta poderia ter imaginado.
US$ 50 bilhões por ano? Sim, você leu certo
Durante sua última teleconferência com investidores, Zuckerberg revelou uma informação bombástica: entre o Facebook e o Instagram, o Reels já gera mais de US$ 50 bilhões por ano. Para efeito de comparação:
- YouTube (2025): US$ 46 bilhões.
- TikTok: “modestos” US$ 17 bilhões.
E não, não se trata apenas de vídeos. O verdadeiro motor por trás do negócio é a inteligência artificial, que impulsiona as recomendações, a segmentação de anúncios e até mesmo a forma como os botões são exibidos.
Tessa Lyons, vice-presidente de Produto do Instagram, explicou que “o desafio foi brutal”, mas que a mudança funcionou. Hoje, o usuário médio passa 27 minutos por dia assistindo a Reels, acima dos 21 minutos do YouTube Shorts (embora o TikTok ainda lidere com 44).

Próxima parada: sua TV
Com o sucesso consolidado nos dispositivos móveis, a Meta agora mira uma nova tela: sua sala de estar. A estratégia? Adaptar o Instagram para televisores, começando com o Fire TV da Amazon. Afinal, se o YouTube pode ser o canal mais assistido nos EUA, a Meta quer a sua fatia.
Faz sentido: cada vez mais pessoas assistem aos Reels em grupo ou os compartilham por mensagem direta como se fossem parte de uma conversa. Por que não fazer isso do sofá?
O novo canal global de entretenimento?
De zombaria a fenômeno. De imitação a estudo de caso. Os Reels não só sobreviveram às risadas iniciais, como se tornaram parte essencial dos negócios da Meta, demonstrando que, com persistência, IA e investimento suficientes, até mesmo conteúdo indesejado pode se tornar viciante… e lucrativo.
O que vem a seguir? Ver se eles conseguem manter a magia em uma TV de 55 polegadas.
