Em 2026, “grátis” quase nunca significa “sem custo”; significa “a um preço diferente”. E nos jogos, esse preço geralmente vem na forma de anúncios, limites de tempo e um lembrete constante de que a versão completa está a apenas um clique de distância.
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Essa parece ser a lógica por trás do plano gratuito com anúncios para o Xbox Cloud Gaming, que já está aparecendo nas telas de carregamento do aplicativo Xbox e — se confirmado — pode se tornar o chamariz perfeito para quem quer jogar na nuvem sem investir em hardware... pelo menos inicialmente.
A versão “gratuita” do Xbox Cloud: o que as pistas dizem e quem a experimentará primeiro
Os sinais mais concretos não vêm de um anúncio cheio de alarde, mas de detalhes encontrados no aplicativo: mensagens que mencionam “1 hora de jogo com anúncios por sessão”.
O The Verge relata que isso coincide com testes internos da Microsoft, que supostamente foram limitados a sessões de uma hora com um máximo de cinco horas gratuitas por mês.
Quem entra primeiro? O ponto de entrada seria o clássico laboratório público da Microsoft: o Xbox Insider. A ideia seria testar o sistema com os usuários do programa antes de expandi-lo, um padrão comum para recursos que podem gerar atrito (porque ninguém quer que a versão “gratuita” trave ou fique injogável no primeiro dia).
E sim, os anúncios não seriam sutis: fala-se em dois minutos de publicidade antes de cada sessão, como o preço a pagar para desbloquear aquele trecho de jogo.
Não seria uma “Netflix dos jogos”: seria mais como “experimente um episódio... com comerciais”.

Por que a Microsoft está acelerando agora? Hardware caro e assinaturas sob pressão. O contexto faz com que a mudança faça sentido. A nuvem é especialmente atraente quando o hardware se torna um luxo, e o mercado vem falando há meses sobre o aumento dos custos de componentes e o impacto da IA na demanda por infraestrutura.
Nesse cenário, um plano gratuito é uma forma de atrair usuários curiosos: pessoas que não querem (ou não podem) pagar por uma assinatura completa, mas que desejam experimentar o serviço se a barreira de entrada for zero.
Além disso, a Xbox vem reajustando sua estratégia de negócios. Em outubro de 2025, a Microsoft aumentou o preço do Game Pass Ultimate nos EUA de US$ 19,99 para US$ 29,99 (um aumento de 50%), justamente quando implementou melhorias e mudanças nos planos.
Isso tornou muitos usuários mais receptivos a qualquer oferta “mais barata”, mesmo que venha com condições. Dessa perspectiva, o plano com anúncios parece projetado como um funil: atrair volume com a opção “gratuita” e, em seguida, convidar os usuários a fazer o upgrade quando os limites aparecerem.
Limitações esperadas: tempo, catálogo e a armadilha psicológica do upgrade
Se o modelo vazado se mantiver, os limites serão uma parte essencial do design:
- Sessões de 1 hora por vez.
- Até 5 horas gratuitas por mês (ou cinco sessões), pelo menos nos testes atuais.
- Anúncios antes de jogar, com duração de cerca de dois minutos.
- Seleção limitada de jogos, para que o plano pago continue a parecer “a experiência real”.
Os detalhes do catálogo são importantes: relatos indicam que ele pode incluir eventos gratuitos, jogos clássicos/retrô e, em alguns casos, jogos que o usuário já possui (de acordo com a abordagem “Transmita seu próprio jogo” que a Microsoft vem expandindo).
O plano gratuito não pretende substituir o Game Pass: ele visa torná-lo mais atraente.
Quando poderemos saber mais?
Com o Developer Direct da Microsoft marcado para 22 de janeiro de 2026, esta semana promete novidades relacionadas ao ecossistema Xbox, embora não haja confirmação de que o plano com anúncios será o foco principal do evento. A Microsoft já anunciou oficialmente a data e parte do conteúdo da apresentação.
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Se o plano gratuito com anúncios chegar “nas próximas semanas”, como sugerem os relatos, o Xbox Cloud Gaming poderá dar um passo decisivo em direção ao modelo que domina o entretenimento digital: entrada gratuita, paciência com anúncios e a promessa constante de que pagar torna tudo mais conveniente.
