Durante anos, o “poder” do YouTube era simples: qualquer pessoa podia enviar um vídeo e o algoritmo fazia o resto (para o bem ou para o mal). Em 2026, a ambição é diferente: que o criador escreva uma ideia, aperte um botão e deixe a plataforma ajudá-lo a transformá-la em conteúdo pronto para publicação.
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O novo plano parece uma oficina criativa turbinada… mas também levanta uma questão incômoda: o que acontece quando criar se torna fácil demais?
1) Vídeos curtos com seu “clone” autorizado: seu rosto, mas em modo IA
A promessa mais impressionante na carta de Mohan é que os criadores poderão fazer vídeos curtos usando uma versão gerada por IA de sua própria imagem. Não se trata (em teoria) de roubar o rosto de outras pessoas, mas de habilitar um “duplo digital” com a permissão do criador. O YouTube também reconhece o problema óbvio: a plataforma quer reforçar as proteções para evitar que isso se transforme em spam, clickbait ou conteúdo repetitivo de baixa qualidade (a infame “lixo de IA”).
O YouTube quer “clones”, mas com mecanismos de segurança.
2) Jogos de Vídeo Personalizados: Da Sugestão ao Minijogo
O segundo salto beira o surreal: o YouTube fala sobre a criação de jogos a partir de sugestões de texto, aproveitando seu ecossistema experimental de Jogos Interativos.
A imagem mental é irresistível: digitar “jogo de plataforma retrô de um gato pulando arranha-céus” e acabar com um minijogo jogável dentro do YouTube. Se isso funcionar, o criador não apenas publica vídeos, mas também experiências.
De “inscreva-se no canal” para “jogue isso que eu acabei de inventar”.
3) Música Generativa: Inspiração... Sob o Escrutínio dos Direitos Autorais
A carta também aponta para ferramentas para experimentar com música gerada por IA, uma área em que o YouTube sempre caminha com cautela: devido a direitos autorais, reivindicações e à facilidade com que se cruza a linha entre “inspiração” e “cópia descarada”.
O discurso oficial insiste que a IA busca empoderar artistas e criadores, não substituí-los. E para corroborar essa narrativa, Mohan acrescenta um dado que serve como termômetro: em dezembro de 2025, mais de um milhão de canais já utilizavam diariamente ferramentas de criação com inteligência artificial.
4) A “Nova TV”: Mais visualização múltipla e assinaturas mais flexíveis
O YouTube não quer apenas ferramentas sofisticadas; ele quer a sala de estar. Nos Estados Unidos, a Nielsen tem mostrado consistentemente o YouTube como líder entre as plataformas de streaming, e o próprio ecossistema da TV é uma obsessão estratégica.
Até 2026, melhorias como visualização múltipla mais personalizável e pacotes de assinatura mais flexíveis são esperadas no YouTube TV (projetado para esportes, notícias e muito mais).
Citação principal: O YouTube não quer competir com a TV: ele quer ser a TV.
5) Comprar sem sair do vídeo: o clique mais tentador
O passo final do plano é o mais prático: a monetização. O YouTube está investindo em comércio integrado (Shopping) para que as recomendações dos criadores se tornem compras sem atrito. É o velho sonho de “Vi um produto, quero, pago por ele” sem sair do vídeo.
O que está claro:
Em 2026, o YouTube aposta em uma combinação explosiva: criação ultrarrápida impulsionada por IA, aumento do consumo de TV e mais compras dentro do conteúdo. O resultado pode ser brilhante… ou um festival de conteúdo clonado se as barreiras falharem.
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E essa é a trama subjacente: o YouTube quer que a IA faça sua mágica, mas sem transformar a plataforma em um bazar infinito de cópias bem iluminadas.
