No mundo da tecnologia, “encerrar” uma plataforma parece simples até você realmente tentar. Não é tão fácil quanto apertar um botão: há empresas, escritórios, usuários, contratos e uma montanha de papelada carimbada. Esta semana, o TikTok alcançou algo que, no clima atual, já parece uma vitória: continuar operando no Canadá, pelo menos enquanto o governo reavalia o caso.
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E tudo graças a uma decisão judicial que deixou Ottawa com uma tarefa para resolver.
O que o tribunal decidiu e quais mudanças começam hoje
O Tribunal Federal do Canadá anulou uma ordem do governo que buscava dissolver as operações canadenses do TikTok, emitida originalmente em novembro de 2024 por motivos de segurança nacional.
O juiz federal Russell Zinn anulou essa medida e encaminhou o caso de volta à Ministra da Indústria, Melanie Joly, para uma nova análise. A decisão, segundo relatos, foi breve e não incluiu uma explicação detalhada.
O TikTok, por sua vez, comemorou a decisão e afirmou que espera trabalhar com o ministro nesta nova etapa do processo. Não se trata de “o TikTok venceu de vez”, mas sim de “o TikTok continua de pé... enquanto o Canadá reavalia a situação”.
A ordem de 2024: dissolver a empresa, mas sem banir o aplicativo
O aspecto mais curioso do caso é que a ordem original de novembro de 2024 não previa um “bloqueio total” para os usuários. O governo canadense havia ordenado a dissolução da empresa local por motivos de segurança, mas indicou que não estava proibindo o acesso ao aplicativo nem impedindo as pessoas de publicar conteúdo.
O TikTok afirma ter mais de 14 milhões de usuários mensais no Canadá e, justamente por isso, a diferença entre “fechar escritórios” e “encerrar as atividades do aplicativo” é significativa: o impacto político e social seria diferente, assim como a complexidade técnica e jurídica.

Por que o TikTok continua sob escrutínio: Dados, China e menores
O Canadá não está sozinho nessa situação. Vários países têm encarado o TikTok com suspeita, preocupados com a possibilidade de a China usar a plataforma para coletar dados ou influenciar interesses nacionais, visto que o TikTok pertence à ByteDance, uma empresa chinesa.
Além disso, o debate em torno dos menores também pesa bastante.
Em setembro de 2025, após uma investigação conjunta, o TikTok concordou em aprimorar suas medidas de verificação de idade e transparência de privacidade no Canadá, depois que as autoridades concluíram que seus esforços para manter crianças fora da plataforma e proteger informações pessoais eram insuficientes.
O problema não é mais apenas o aplicativo: é o ecossistema de dados que o cerca.
Próximos passos: revisão do caso e um grande “Por enquanto”
Com a revogação da ordem judicial, o governo canadense precisa revisar o processo e decidir o que fazer com ele sob a égide do setor. Isso deixa o TikTok operando no Canadá enquanto o próximo capítulo é escrito.
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O Canadá não “abençoou” o TikTok; deu-lhe tempo. E em 2026, em plena era das regulamentações tecnológicas, o tempo é um trunfo: permite negociar, ajustar políticas, reforçar os controles... e continuar publicando vídeos nesse meio tempo.
