No mundo dos games, os rumores costumam chegar com grande alarde: “vazamento”, “informante”, “data provisória” e, claro, uma contagem regressiva imaginária para o “dia do anúncio”. Mas desta vez, o suspense não é gerado por um teaser, mas por uma lista de materiais.
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Se o PlayStation 6 está demorando, a explicação que ganha força não é narrativa nem marketing: é logística. E em 2026, logística tem um nome curto e assustador: memória.
O “atraso” não seria marketing: seria um gargalo
Nas últimas semanas, uma ideia tem sido repetida na mídia e em vazamentos: o PS6 pode não chegar quando muitos esperavam.
Parte do ruído vem de relatos que ligam a próxima geração ao aumento do custo e à escassez de memória RAM, impulsionados pela demanda da indústria de inteligência artificial. O argumento é simples, quase insultuosamente simples: se a memória RAM se tornar cara e difícil de obter em larga escala, fabricar um novo console com um verdadeiro salto de potência se torna um exercício de risco financeiro.
E a Sony já experimentou — e não exatamente com nostalgia — o que significa lançar um hardware com problemas de fornecimento durante os primeiros anos de vida do PS5.
IA, data centers e a luta pela memória
A pressão não vem apenas do mundo dos jogos. Diversas análises indicam que os data centers, impulsionados pela corrida da IA, estão absorvendo uma parcela cada vez maior da produção de memória “boa”.
Nesse sentido, foi relatado que o cenário de 2026 poderá concentrar uma grande parte dos chips de memória na infraestrutura de servidores, elevando os preços e restringindo a disponibilidade para eletrônicos de consumo.
E quando a memória se torna mais cara, o efeito dominó é sentido rapidamente: fabricantes e montadoras de PCs já falaram publicamente sobre ajustes de preços e pressões de estoque devido aos aumentos acentuados nos preços de RAM e SSD a partir do final de 2025. Há até relatos de aumentos agressivos nos preços de contratos de DDR5 devido à escassez de estoque, alimentando a sensação de um “RAMageddon” até 2026. Nesse contexto, um PS6 não está competindo apenas com o Xbox ou PCs: está competindo com a demanda dos data centers.

Para justificar um PS6, “um pouco mais” não basta
Além da oferta, há um ponto técnico crucial: um novo console precisa vender um salto claro em termos de desempenho. Se a Sony lançasse um PS6 muito cedo e com muitas “pequenas alterações”, a narrativa seria complicada em comparação com um PS5 Pro, que já apresenta melhorias em desempenho, resolução e técnicas modernas de renderização.
E aqui entra em jogo outra variável incômoda: o preço. A Sony já normalizou preços mais altos para sua linha PS5.
Em agosto de 2025, a PlayStation anunciou os preços de varejo recomendados nos EUA, definindo o PS5 em US$ 549,99, a Edição Digital em US$ 499,99 e o PS5 Pro em US$ 749,99. Se o hardware básico de um PS6 se tornar mais caro devido à escassez, o risco é óbvio: um console de “próxima geração” com um rótulo de produto de luxo.
O que a Sony ganharia estendendo a geração?
Se os relatórios estiverem corretos, estender o ciclo teria vantagens práticas: mais tempo para os processos de fabricação amadurecerem, mais espaço para negociar o fornecimento e, sobretudo, evitar uma saída com unidades limitadas e preços desfavoráveis.
Mas isso também tem um preço: desenvolvedores prolongando a era intergeracional e jogadores se perguntando se vale a pena esperar, atualizar para um PS4 Pro ou simplesmente considerar um PC.
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Por enquanto, o mais honesto é tratar isso pelo que é: sinais de mercado, relatórios e análises, não um anúncio oficial. Mesmo assim, o padrão se repete em diferentes fontes: se a memória continuar cara e escassa, o PS6 pode chegar mais tarde do que o esperado… e não exatamente barato.
