No streaming, o anime há muito deixou de ser “uma seção fofa do catálogo”. Hoje, é um campo de batalha com fãs exigentes, estreias discutidas em tempo real e plataformas competindo como se cada abertura fosse uma final. Nesse cenário, a Netflix acaba de dar um grande passo: um acordo com a MAPPA, o estúdio por trás de títulos que frequentemente se tornam assuntos imperdíveis.
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A questão não é se isso adiciona anime à Netflix. A questão é se isso muda o jogo.
Netflix + MAPPA: uma aliança para criar (e vender) anime com ambição global
O anúncio foi feito em 21 de janeiro de 2026: a Netflix e a MAPPA assinaram uma parceria estratégica para trabalhar juntas em novos projetos, do desenvolvimento da história à distribuição e merchandising, com estreias mundiais exclusivas e simultâneas na Netflix para este novo lote de títulos.
A jogada faz sentido para ambos os lados. Para a Netflix, significa garantir conteúdo original com uma marca de estúdio altamente reconhecida. Para a MAPPA, isso significa poder de distribuição global e apoio comercial para projetos que, em um mercado hipercompetitivo, precisam de mais do que apenas boa animação: precisam de visibilidade global.
Além disso, a Netflix afirmou que o anime é fundamental para seu público: mais da metade de seus assinantes assistem a animes na plataforma, e o consumo do gênero teria triplicado em cinco anos, uma estatística que explica por que agora estão investindo com uma atitude de “isso é prioridade”.
A MAPPA não está para brincadeira: o precedente de Chainsaw Man e a ideia de “seguir sozinha”
A MAPPA vem construindo há tempos uma reputação como um estúdio “de alta voltagem” (tanto na produção quanto no discurso público).
Um exemplo que é frequentemente citado como um marco é sua decisão de financiar integralmente a produção do anime Chainsaw Man sem o modelo tradicional de comitê de produção, algo que na época era considerado uma atitude incomum na indústria.
Esse tipo de aposta se encaixa em um acordo no qual a Netflix não apenas “compra os direitos”, mas também participa de todo o ecossistema: criação, distribuição e exploração comercial.
E se o objetivo é que a MAPPA produza originais com uma perspectiva global, a aliança parece feita sob medida para que ambas as partes saiam ganhando... desde que o resultado seja bom, é claro.
E quanto à Crunchyroll? Seu ponto forte continua sendo “lançamento simultâneo com o Japão”
Aqui vem a inevitável comparação. A Crunchyroll ainda tem um argumento muito forte: a transmissão simultânea, ou seja, estreias no mesmo dia (ou quase) em que são exibidas no Japão, com uma programação dedicada a essa promessa.
A Netflix, por outro lado, historicamente alternou estratégias: às vezes lançando semanalmente, às vezes tudo de uma vez, às vezes chegando com atraso.
A diferença é que, com este acordo, a Netflix está dizendo: “estes novos títulos da MAPPA serão nossos, exclusivamente, e serão lançados mundialmente ao mesmo tempo”. Isso ataca o clássico calcanhar de Aquiles: o atraso.
Isso “abala” a Crunchyroll? Depende de duas coisas:
- Quantos títulos estão realmente incluídos no acordo (e qual a sua importância), e
- Se a Netflix conseguir manter uma programação de lançamentos consistente que a comunidade de anime respeite, semana após semana, temporada após temporada.

Um detalhe importante: o acordo Warner/HBO não é “notícia velha”, é um processo em andamento
Algumas versões do rumor confundem essa notícia com uma suposta compra já finalizada dos ativos da Warner Bros. Discovery e da HBO “em 2024”. O que é verificável em fontes financeiras recentes é diferente: foi relatado que a Netflix concordou em comprar o estúdio e a divisão de streaming da Warner Bros. Discovery em dezembro de 2025 e, em janeiro de 2026, ainda se fala em uma oferta, apoio do conselho e aprovação regulatória, não em uma integração concluída.
Em outras palavras, o acordo com a MAPPA é uma ação concreta já anunciada; o acordo com a Warner é, por enquanto, uma grande operação em desenvolvimento.
O que esperar: menos “animes soltos”, mais estratégia
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Com a MAPPA, a Netflix não está apenas comprando algumas licenças: está comprando uma potência criativa com seu próprio estilo distinto. Se os projetos forem bem-sucedidos, a Netflix ganha exclusividades significativas e a MAPPA ganha alcance e capital para assumir riscos. Se as coisas derem errado, o acordo ainda servirá como um lembrete de que, em animes, não basta apenas assinar cheques: é preciso entender o ritmo, a comunidade e a conversa.
E sim: para as outras plataformas, este é um sinal claro de que a Netflix quer lutar pelo anime da mesma forma que luta pelos grandes gêneros. Com um contrato, um estúdio e um plano.
