Se alguém pensava que a inteligência artificial servia apenas para criar imagens estranhas de gatos de terno ou resumir e-mails intermináveis, 2026 traz um lembrete: ela também está fazendo uma grande entrada na narrativa audiovisual.
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Não com um filme de três horas, mas com episódios semanais que vão direto ao ponto, como se a história tivesse descoberto o formato “fácil de rolar”. A questão não é se isso “substitui” alguém (a série insiste que não), mas o que se ganha e se perde quando o processo criativo é preenchido com novas ferramentas.
‘On This Day… 1776‘: uma estreia com um calendário patriótico e lançamento em canal aberto
A série já lançou um trailer e os primeiros episódios no canal TIME, e seu plano é continuar ao longo de 2026 com episódios semanais, sincronizados com os aniversários dos eventos que recria. Ao fundo, uma data significativa: o 250º aniversário da Declaração de Independência dos Estados Unidos, que será comemorado em julho de 2026 e dá sentido ao “por que agora”.
O que significa “totalmente baseado em IA” neste contexto?
O título soa como ficção científica, mas o segredo está nas nuances: os visuais dependem de ferramentas generativas (com tecnologia DeepMind), enquanto várias etapas importantes permanecem humanas — edição, mixagem, correção de cor — e as vozes são de atores sindicalizados.
A ideia, segundo a equipe de produção, não é “apertar um botão e pronto”, mas usar a IA como um conjunto de ferramentas para alcançar estilos e ritmos de produção difíceis de obter com métodos tradicionais em um formato semanal.
Os primeiros episódios: bandeiras, panfletos e figuras historicamente significativas
A série se aprofunda em detalhes. Um episódio recria o momento em que George Washington hasteia a bandeira da União Continental em Somerville para elevar o moral. Outro se concentra em Benjamin Franklin incentivando Thomas Paine a escrever o tipo de texto que causaria alvoroço durante a revolução.
Em termos de encenação, a série busca “aproximar o conflito”: menos imagens de museu e mais dramatizações curtas, com um ritmo adequado ao consumo contemporâneo. Essa é a sua promessa... e também o seu risco.
O argumento oficial: “expandir o possível” sem substituir o trabalho artesanal
A TIME e a equipe criativa foram muito explícitas em sua mensagem: a IA não viria para eliminar ninguém, mas para expandir as possibilidades. O presidente da TIME Studios, Ben Bitonti, defendeu a abordagem como um uso “ponderado” e guiado pelos artistas.
Essa perspectiva é fundamental porque a série nasce em meio a uma discussão muito mais ampla: o medo de que a automação torne “barato” o que antes era caro e que a “rapidez” acabe devorando o trabalho “bem feito”.
O outro lado: fascínio, debate… e o Vale da Estranheza batendo à porta
Como esperado, a recepção não é uniforme. Alguns veículos de comunicação veem o projeto como um experimento que antecipa o futuro do formato de curta-metragem.
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Outros foram consideravelmente menos gentis e apontaram resultados visuais irregulares e momentos que beiram o perturbador, exatamente o que geralmente acontece quando um rosto “quase humano” não se encaixa perfeitamente. É aí que reside o verdadeiro cerne da questão: se a IA entra no campo da narrativa, o público não julga apenas a tecnologia; julga também a emoção. E a emoção — ainda hoje — é uma área em que o elemento humano continua a fazer toda a diferença.
