A UNICEF solicitou formalmente que os governos criminalizem o uso de inteligência artificial para gerar material de abuso sexual infantil (CSII-IA). A organização alerta que a atual lacuna legal permite que os perpetradores gerem imagens e vídeos sintéticos com extremo realismo, dificultando a distinção entre conteúdo real e gerado, e revitimizando crianças em ambientes digitais.
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À medida que nos aproximamos de fevereiro de 2026, a capacidade da IA de criar mídia sintética ultrapassou os marcos regulatórios existentes.

O UNICEF enfatiza que não se trata apenas de criar novas imagens, mas de usar fotos reais de crianças (obtidas em redes sociais) para serem manipuladas por algoritmos. A organização internacional destaca que a geração desse material constitui uma forma de abuso em si, independentemente da ausência de contato físico direto, pois alimenta mercados de exploração e normaliza a violência contra crianças.
O apelo do UNICEF não se dirige apenas aos usuários finais, mas também à responsabilidade das empresas de tecnologia que desenvolvem e distribuem esses modelos de geração de linguagem e imagem. A organização busca que a legislação internacional considere a mera posse e criação de material gerado por IA um crime comparável à distribuição de material de abuso da vida real.

O Desafio Técnico: Detecção e Responsabilização das Plataformas
Um dos problemas mais complexos destacados pelo UNICEF é a dificuldade técnica em filtrar esse conteúdo. Os algoritmos de moderação tradicionais são treinados para reconhecer padrões em conteúdo real, mas a IA generativa pode burlar esses filtros criando variações constantemente. A organização está pedindo que as empresas de software sejam obrigadas a implementar marcas d’água digitais invioláveis e sistemas de bloqueio de avisos que impeçam a geração de qualquer material envolvendo menores em contextos inadequados.
Além disso, o UNICEF está pedindo cooperação transfronteiriça. Como se trata de um crime digital, os criadores podem estar em um continente e as vítimas (ou o banco de dados de treinamento) em outro. Sem um tratado global que criminalize especificamente a IA usada para esse fim, as lacunas jurisdicionais continuarão permitindo a impunidade. “A tecnologia está avançando a passos largos, mas nossa proteção às crianças parece ter permanecido presa na era analógica”, observa o comunicado.

Impacto Psicológico e Social da Revitimização Sintética
Para o UNICEF, o dano causado por esse conteúdo “sintético” não é virtual. A existência de réplicas digitais de crianças em situações de abuso gera traumas reais tanto para as crianças afetadas quanto para suas famílias, que veem sua identidade sendo usada de forma perversa. Há também o risco de que a saturação de imagens geradas por IA sobrecarregue as investigações policiais, obscurecendo casos reais de abuso sob uma montanha de conteúdo sintético.

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A organização conclui que a ética no desenvolvimento da Inteligência Artificial deve ser o pilar fundamental até 2026. O pedido à ONU e aos parlamentos regionais é claro: classificar a produção, o armazenamento e a disseminação de inteligência artificial aplicada a crimes cibernéticos como crime grave, a fim de combater os predadores digitais.
