A Ordem Jogye da Coreia do Sul acaba de marcar um marco na intersecção entre fé e robótica. No emblemático templo Jogyesa, um robô humanoide chamado Gabi completou seu ritual de iniciação, tornando-se o primeiro participante não humano a receber os preceitos budistas em uma cerimônia carregada de simbolismo e tecnologia.

Gabi não é um design experimental; é um modelo G1 da empresa Unitree Robotics. Com uma altura de 130 centímetros e um preço de 13.500 dólares, este androide demonstrou uma mobilidade avançada ao realizar reverências e responder às perguntas dos monges.
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Data de nascimento incluída: entenda os detalhes importantes
O mais disruptivo foi a criação de um certificado oficial onde sua “data de nascimento” é, na verdade, sua data de fabricação: 3 de março de 2026.
Para que Gabi pudesse participar, a Ordem teve que adaptar os Cinco Preceitos, as regras éticas fundamentais do budismo, para uma linguagem que um sistema sintético pudesse “compreender” ou obedecer como diretriz operacional.
Comparação: Preceitos humanos versus Votos robóticos
| Não matar | Não causar danos a outros robôs ou a humanos. | Segurança e ética robótica |
| Não mentir | Atuar sem enganos | Transparência de dados e IA |
| Não roubar | Respeitar a propriedade e objetos | Integridade do sistema |
| Nã ter condutas sexuais | Escutar e respeitar os humanos | Hierarquia de interação |
| Não se intoxicar | Evitar sobrecargas e economizar energia | Manutenção de hardware |
O desafio de atrair a Geração Z

A incorporação de Gabi responde a uma crise demográfica no budismo sul-coreano. Com apenas 8% dos jovens entre 20 e 29 anos identificados como fiéis, a Ordem Jogye decidiu que a única maneira de sobreviver é “liderar sem medo a era da IA”.
A estratégia inclui desde aplicativos de meditação até o uso de modelos de linguagem como GPT e Gemini para interpretar textos sagrados, embora os monges admitam que a IA ainda enfrenta dificuldades para captar o “sentido profundo” das proibições religiosas.
Pode um robô alcançar a iluminação espiritual?

Embora Gabi agora use túnicas monásticas e carregue um colar de 108 contas, os líderes do templo esclarecem que isso não significa que as máquinas tenham alma ou possam alcançar o Nirvana. O objetivo é puramente humano: gerar curiosidade. Se um jovem visita o templo por ver o robô, existe a possibilidade de que fique pela filosofia.
Gabi terá seu teste de fogo midiático no próximo 24 de maio, quando participará do desfile das Lanternas de Lótus (UNESCO) junto com seus companheiros robóticos: Seokja, Mohee e Nisa.
Uma nova era
Este experimento em Seul nos leva a questionar se a prática religiosa reside na intenção ou na execução do ritual.
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Enquanto o debate filosófico continua, Gabi já possui seu firmware atualizado para a compaixão, lembrando-nos que em 2026, a fronteira entre o sagrado e o sintético está cada vez mais tênue.
