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Sexo e menopausa: como a atividade sexual pode atrasar o relógio biológico

Um estudo revelador do University College London mostra como a vida sexual ativa pode reduzir em até 28% o risco de menopausa precoce

¿Placer contra el reloj biológico?
Prazer contra o relógio biológico Por que ter mais atividade sexual pode atrasar sua menopausa, segundo a ciência (MV )

O corpo humano é uma máquina de eficiência implacável. Não gasta energia em algo que não considera necessário.

Sob essa premissa, uma das perguntas mais intrigantes da saúde hormonal feminina ganhou força nos últimos anos: é possível que nossa atividade íntima influencie o calendário do nosso sistema reprodutivo? A resposta da ciência não é apenas afirmativa, mas nos revela um fascinante jogo de sinais biológicos entre o cérebro e os ovários.

O estudo que transformou a perspectiva

Para entender esse fenômeno, devemos olhar para Londres. Um estudo realizado pela University College London (UCL) e publicado na revista Royal Society Open Science, analisou a vida de quase 3.000 mulheres nos Estados Unidos durante uma década.

Os resultados foram reveladores: mulheres que mantinham atividade sexual semanal (seja por coito, carícias íntimas, sexo oral ou autoestimulação) apresentavam 28% menos probabilidade de entrar na menopausa precoce em comparação com aquelas que tinham atividade menos de uma vez por mês.


Mesmo em um nível mais moderado — uma vez por mês —, a probabilidade de alcançar a menopausa diminuía em 19%.

Mas por que nosso organismo tomaria uma decisão tão drástica baseada em nossa agenda íntima?

A “Hipótese da Avó” e a economia de energia

Do ponto de vista evolutivo, a ovulação é um processo dispendioso. Manter o ciclo mensal requer um investimento massivo de nutrientes, hormônios e energia que o corpo poderia usar para outras funções, como o fortalecimento do sistema imunológico ou a regeneração celular.

Se uma mulher não está tendo atividade sexual frequente, especialmente ao se aproximar dos 40 ou 50 anos, seu corpo recebe um sinal implícito: “A gravidez não é uma possibilidade imediata”. Diante da falta dessa “faísca” biológica, o organismo opta por uma retirada tática.

É aqui que entra a famosa “Hipótese da Avó”, uma teoria que sugere que, evolutivamente, as mulheres deixam de ser férteis para redirecionar essa energia para o cuidado e a sobrevivência dos parentes mais jovens, garantindo a continuidade de seus genes de outra maneira.

Não é apenas uma questão de casal

Um dado fundamental que a nota deve enfatizar é que a biologia não discrimina a origem do estímulo.

A pesquisa do UCL observou que os benefícios não dependiam exclusivamente da presença de um parceiro masculino ou do coito tradicional. A excitação e a atividade sexual em geral atuam como um interruptor biológico.

Quando há atividade frequente, o corpo interpreta que o “mercado da fertilidade” continua aberto, mantendo ativos os níveis de estrogênio e prolongando o funcionamento dos ovários um pouco mais do que o habitual. É, em essência, uma mensagem de vitalidade que enviamos para nossas próprias células.

Realidade vs. Expectativa: outros fatores em jogo

Embora esses dados sejam encorajadores e promovam uma visão positiva da sexualidade na maturidade, a ciência também pede cautela. A menopausa não é uma doença a ser “curada” ou evitada para sempre; é uma transição natural.

Existem fatores imutáveis como a genética (a idade em que sua mãe teve a menopausa é o preditor mais forte) e fatores externos como o tabagismo, que pode adiantar esse processo em até dois anos.

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No entanto, saber que o autocuidado, o prazer e a conexão íntima podem nos dar uma margem de manobra biológica é, sem dúvida, uma ferramenta de empoderamento para a saúde das mulheres nos dias de hoje.

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