Estilo de Vida

Autoras anônimas: 10 escritoras que esconderam sua identidade literária

De Brontë a George Sand: a história da literatura repleta de mulheres que esconderam seus nomes por trás de pseudônimos masculinos para serem publicadas

Jane Austen
Jane Austen Uma das escritoras que escreveu sem seu nome real

Para a posteridade, foram cavaleiros da pena elegante e julgamento severo. Para a realidade, foram mulheres corajosas que, confinadas em seus próprios quartos — ou no canto de uma mesa compartilhada —, tiveram que “se disfarçar” de homens para que o mundo ousasse lê-las. Durante séculos, o nome masculino não foi uma escolha artística, mas um escudo de sobrevivência.

Hoje, no Dia Mundial do Livro, não apenas celebramos as histórias, mas a justiça de saber quem realmente as escreveu. Aqui apresentamos 10 gigantes que venceram o anonimato.

1. Mary Ann Evans (George Eliot)

Mary Ann não queria apenas escrever; ela almejava ser levada a sério em campos como política e filosofia.

Sob o pseudônimo de George Eliot, publicou obras-primas como Middlemarch. Sua identidade literária era tão convincente que, quando sua verdadeira personalidade foi revelada, o escândalo foi enorme, mas sua qualidade como escritora já era indiscutível.


2. Amantine Aurore Lucile Dupin (George Sand)

Ícone da rebeldia, Amantine não apenas assinava como George Sand, mas também vestia roupas masculinas e fumava charutos em público para se movimentar com a liberdade que Paris concedia apenas aos homens.

Foi uma das escritoras mais populares da Europa, superando em vendas muitos de seus colegas do sexo masculino.

3. As Irmãs Brontë (Currer, Ellis e Acton Bell)

Charlotte, Emily e Anne publicaram seus primeiros poemas e romances sob o pseudônimo dos irmãos Bell.

Charlotte (Jane Eyre) era Currer; Emily (Cumbres Borrascosas) era Ellis; e Anne (A Inquilina de Wildfell Hall) era Acton.

O objetivo era evitar que sua obra fosse julgada sob o preconceito da “sensibilidade feminina”.

4. Cecilia Böhl de Faber (Fernán Caballero)

No século XIX, na Espanha, Cecilia adotou o nome de um vilarejo andaluz, Fernán Caballero, para publicar A Gaivota.

Embora suas perspectivas fossem conservadoras, ela defendia categoricamente que o intelecto não possui gênero e que uma mulher poderia retratar a realidade social com a mesma perspicácia de um homem.

5. Louisa May Alcott (A.M. Barnard)

Antes de alcançar a fama mundial com Mulherzinhas, Alcott redigiu narrativas de suspense e thrillers psicológicos muito mais sombrios sob o pseudônimo de A.M. Barnard.

Era sua maneira de explorar temas considerados tabus sem comprometer sua reputação como escritora de literatura voltada para o ambiente familiar.

6. Matilde Cherner (Rafael Luna)

Esta jornalista salmantina, que assinava como Rafael Luna, foi uma escritora progressista e uma voz crítica que não hesitou em denunciar o plágio de autores consagrados.

Suas obras, como María Magdalena, foram resgatadas recentemente para restaurar seu lugar nas letras hispânicas.

7. Caterina Albert (Víctor Català)

Após o escândalo provocado por uma mulher que escreveu um monólogo tão cru quanto La infanticida, a autora catalã decidiu que sua carreira continuaria sob o pseudônimo de Víctor Català.

Com este nome, publicou Solitud, uma das peças fundamentais do modernismo catalão.

8. Violet Paget (Vernon Lee)

Especialista em narrativas de fantasmas e estética, Violet optou por ser Vernon Lee para que seus ensaios intelectuais fossem respeitados nos círculos acadêmicos do final do século XIX.

Foi uma das mentes mais brilhantes de sua época, admirada pelo próprio Henry James.

9. Alice Bradley Sheldon (James Tiptree Jr.)

Mesmo no pleno século XX, a ficção científica era um “clube de meninos”. Alice escreveu histórias premiadas por anos como James Tiptree Jr., fazendo com que os críticos elogiassem sua “escrita masculina”.

Quando foi descoberto que James era Alice em 1977, o mundo da literatura fantástica ficou em choque.

10. Jane Austen (Por uma Dama - By a Lady)

Austen nunca chegou a assinar como homem, mas representa o silêncio do “Anônimo”.

Seu primeiro romance, Razão e Sensibilidade, apareceu simplesmente escrito “Por uma Dama”. Foi sua única maneira de entrar em um mercado que não esperava que uma mulher solteira tivesse tanto senso de ironia e genialidade.

LEIA TAMBÉM:

Calça ‘balloon pants’: a nova tendência que está substituindo os jeans

Jovem encontra namorada com outro e o agride violentamente

Pós-parto dura 6 anos: ciência revela dado impactante ignorado pela medicina

Um convite à leitura consciente

Neste Dia do Livro, quando você abrir um romance clássico, lembre-se de que por trás daquele nome imponente ou daquele “Anônimo” na capa, pode ter existido uma mulher que lutou pelo simples direito de existir nas páginas.

Hoje, finalmente, podemos chamá-las pelo nome.

Últimas Notícias