Estilo de Vida

O dano que nem sempre é visível: como a violência de gênero afeta o cérebro das mulheres

Um estudo da Universidade de Granada revela que a violência de gênero altera a memória e força o cérebro feminino a trabalhar mais

Así afecta la violencia de género al cerebro de las mujeres
Dessa forma a violência de gênero afeta o cérebro das mulheres
Así afecta la violencia de género al cerebro de las mujeres
Dessa forma a violência de gênero afeta o cérebro das mulheres (Chuanchai Pundej)

A violência de gênero deixa mais do que apenas cicatrizes emocionais. Tampouco termina quando os golpes físicos cessam ou quando o medo deixa o ambiente. Hoje, a ciência demonstra que seus efeitos podem estender-se até o cérebro.

Um estudo conduzido pelo Centro de Pesquisa em Mente, Cérebro e Comportamento da Universidade de Granada revelou que mulheres sobreviventes de violência de gênero apresentam alterações na memória verbal e exigem um maior esforço cerebral ao realizar tarefas cotidianas relacionadas ao aprendizado e à recordação de palavras. A pesquisa, por ocasião de sua publicação, tornou-se uma das análises mais significativas e atuais a respeito das consequências neuropsicológicas da violência de gênero.

O cérebro também entra em modo sobrervivência

Así afecta la violencia de género al cerebro de las mujeres
Dessa forma a violência de gênero afeta o cérebro das mulheres (Joaquincorbalan)

Há anos, muitas mulheres relatam que, após vivenciarem situações de violência, passaram a esquecer coisas simples — como listas de compras, conversas, nomes ou instruções do cotidiano. O que antes parecia ser mera distração ou exaustão emocional tem, agora, uma explicação científica.

O estudo analisou 80 mulheres: 40 sobreviventes de violência de gênero e 40 sem histórico de violência. Utilizando a ressonância magnética funcional (fMRI), os pesquisadores observaram como seus cérebros reagiam durante exercícios de reconhecimento de palavras.


Os resultados revelaram que as mulheres que haviam sofrido violência apresentaram maior dificuldade durante as etapas iniciais do aprendizado e exigiram um esforço cerebral significativamente maior para recuperar informações.

Uma batalha silenciosa dentro da mente

A pesquisa identificou alterações em áreas cerebrais ligadas à memória, à regulação emocional e à concentração. Em outras palavras, os resultados indicaram que o cérebro de uma sobrevivente pode ter de trabalhar mais intensamente para realizar tarefas que, anteriormente, pareciam normais. Isso significa que aprender algo novo, seguir instruções ou lembrar-se de palavras pode tornar-se um processo exaustivo.

Para além do tapas e golpes

Así afecta la violencia de género al cerebro de las mujeres
Dessa forma a violência de gênero afeta o cérebro das mulheres

Uma das descobertas mais significativas do estudo é que as sequelas não dependem unicamente da violência física. O estresse prolongado, o medo constante e o trauma psicológico também afetam o funcionamento cerebral.

Os pesquisadores observaram que muitas vítimas sofreram golpes na cabeça ou vivenciaram episódios de estrangulamento — situações que aumentam o risco de danos neurológicos. No entanto, mesmo na ausência de lesões visíveis, o cérebro pode permanecer em um estado de alerta constante por meses ou anos.

Isso explica por que muitos sobreviventes apresentam fadiga mental, dificuldade de concentração ou uma sensação de bloqueio mental após terem suportado relacionamentos violentos.

A ciência abre uma nova discussão

O estudo realizado pela Universidade de Granada marca um ponto de virada, pois fornece evidências neurobiológicas sobre o funcionamento do cérebro no período subsequente à violência de gênero. Até o momento, grande parte das pesquisas concentrava-se na ansiedade, na depressão ou no estresse pós-traumático; contudo, faltavam evidências neurais diretas — particularmente durante a realização de tarefas cognitivas.

Os especialistas acreditam que essas descobertas possam auxiliar no desenvolvimento de tratamentos de reabilitação neuropsicológica e programas de apoio mais eficazes para as sobreviventes. Além disso, elas promovem a compreensão de que a recuperação nem sempre é imediata e que certas sequelas exigem cuidados especializados.

Romper o silêncio também ajuda a se curar

A violência de gênero deixa marcas que, muitas vezes, passam despercebidas. No entanto, pesquisas como esta ajudam a lançar luz sobre uma realidade que milhões de mulheres enfrentam em silêncio.

LEIA TAMBÉM:

Adeus, meias-calças? Meias “sem calcanhar” roubam a cena: veja como usá-las

As mensagens deste final de semana para os signos de Leão, Virgem, Libra e Escorpião, de acordo com o tarot

As mensagens deste final de semana para os signos de Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes, de acordo com o tarot

Hoje, a neurociência confirma que sobreviver à violência envolve também a reconstrução de processos emocionais, mentais e cognitivos. E, embora existam efeitos duradouros, a recuperação é, de fato, possível com apoio psicológico, redes de acolhimento e cuidados adequados.

Últimas Notícias