Durante anos, assumiu-se que a Geração Z, nascida e criada entre telas, abraçaria a Inteligência Artificial de forma incondicional. No entanto, a realidade de 2026 conta uma história muito diferente. Um estudo realizado pela Savanta, uma consultoria internacional de pesquisa de mercado, e originalmente publicado pelo The Guardian, entrevistou jovens da Geração Z (especificamente na faixa etária de 18 a 24 anos) para avaliar sua percepção ética e o impacto social da inteligência artificial generativa.

Quase metade dos jovens acredita firmemente que o avanço desenfreado da IA causará mais danos do que benefícios para a sociedade a longo prazo. O que começou como uma ferramenta de produtividade tornou-se, para muitos, uma ameaça existencial para o mercado de trabalho e a autenticidade humana.
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O “Efeito Espelho”: vislumbrando o futuro antes de todos

Diferentemente dos Baby Boomers ou da Geração X, que veem a IA como um aprimoramento mágico em seus fluxos de trabalho, a Geração Z percebe sistemas como ChatGPT e Midjourney como concorrentes diretos. Os jovens não apenas temem por seus empregos futuros em áreas como design, redação ou programação; eles temem a degradação da verdade. 43% dos entrevistados expressam uma preocupação profunda com a desinformação em massa e a perda da capacidade crítica em um mundo onde o conteúdo é gerado por algoritmos.
Essa desconfiança não é gratuita. A geração que sofreu o impacto na saúde mental pelas redes sociais agora vê na inteligência artificial uma “segunda onda” de isolamento digital. A deshumanização do conteúdo e a automatização da criatividade estão gerando um movimento de rejeição que prioriza o “feito por humanos” como um novo padrão de valor e luxo.
Mercado de trabalho em 2026: a sombra da inteligência artificial
O ceticismo também tem uma raiz econômica. Com a integração da IA em quase todos os níveis das empresas no Chile e no mundo, os cargos de entrada para recém-formados estão desaparecendo.
A Geração Z enfrenta um dilema cruel: devem aprender a usar a ferramenta para serem competitivos, mas ao fazê-lo, sentem que estão alimentando o sistema que eventualmente os substituirá. Essa tensão provocou que 48% dos jovens exijam regulamentações governamentais mais rígidas, algo que até pouco tempo atrás era impensável para uma geração que costumava favorecer o fluxo livre de tecnologia.
Gen Z e IA: Percepções de Riscos e Benefícios na Era Digital
| Área de Impacto | Percepção Gen Z (Risco) | Percepção Gen Z (Benefício) |
|---|---|---|
| Mercado Laboral | Desaparecimento de vagas básicas. | Automatização de tarefas monótonas. |
| Informação | Deepfakes e desinformação total. | Busca rápida de dados rápida. |
| Criatividade | Perda da “faísca” humana. | Ferramentas de apoio técnico. |
| Educação | Atrofia da capacidade de aprendizagem. | Tutoria personalizada 24/7. |
| Sociedade | Maior desigualdade econômica. | Avanços médicos acelerados. |
O despertar do “Tecno-Realismo”: Tendência que transforma tecnologia e percepção
Vimos nascer e morrer dezenas de tendências, mas o que acontece com a Geração Z e a IA é uma mudança de paradigma. Não estamos diante de um grupo de “luditas” que odeiam tecnologia, mas sim da primeira geração de tecno-realistas.
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Eles entendem o código melhor que ninguém e, por isso mesmo, sabem onde estão as falhas. O fato de que quase 50% dos jovens veja mais sombras que luzes na IA é um alerta para as Big Tech: a confiança não se conquista com poder de processamento, mas com ética e propósito.
